Pedaços.



O som do meu silêncio, as ondas do mar ausentes.

O que era simples não existe mais.

Diante dessa calmaria há uma tempestade se formando, eu escuto o som dos trovões antes deles chegarem.

O dia vai se despedindo e dando lugar a noite que se prepara para embalar a escuridão dentro de nós.

Não há muitas estrelas no céu hoje, e a lua tímida se esconde entre as nuvens evitando contato direto.

Deve ser difícil olhar nossas tolices, mas mesmo assim, ela sempre está a ser testemunha e confidente de nossos atos e de nossos corações feridos.

Sei que se ela pudesse falar, diria pra não perder a fé, embora eu sinta na sua forma de brilhar que me entende e a força que tenta me transmitir.

Já perdi as contas de quantas vezes ela foi minha única companhia em meio a ruas escuras e garrafas ao chão.

Mas a gente espera um novo dia raiar, para que possamos concertar o que foi quebrado.

Como se fosse possível quebrar um copo e deixa lo inteiro de novo sem rachaduras.

Não é assim, não se pode concertar, mesmo que doa, mesmo que sangre nada volta a ser como antes.
É preciso saber seguir incompleta, preenchendo o restante de seus pedaços da melhor maneira, para que o pedaço vazio não afete e nem seja notado pelos outros.

Somos frágeis mais também somos fortes. E é isso que nos faz ser o que somos.