Aquela sem lar.



Você já sentiu como se tivessem apagado parte de sua história?

Pois bem, é assim que me sinto, eu não sei de onde vim, por quantas galáxias viajei, só sei que agora estou vendo as luzes atrás de um balcão piscar, e um homem ao lado a me encarar.

Me sento e peço uma bebida, seu gosto amargo e seu tom escuro me fazem relembrar certas coisas.

Ainda não sei se um dia lembrarei do lugar de onde vim, só posso dizer do que me lembro agora.

Não tenho nome, vivo nas sombras, visto um manto preto, meu cabelo vermelho cobre as cicatrizes de meu rosto, não sou notável.

Foi difícil no começo aceitar minha maldição, mas ao passar dos anos você se acostuma com o fardo a carregar, fui feita para matar sonhos, esperanças.

Para presenciar a guerra e arrancar dos que creem qualquer vestígio de recomeço.

Sou aquela que sem lar não senti o apreço por qualquer vida.

Não me julgue, quem sabe na parte de minha história apagada, eu possa ter sido alguém melhor do que sou hoje.

Hoje sou somente um corpo vazio, com um copo cheio na mão, que por vezes só quer esquecer o quão devastador é viver nessa profunda imensidão.