Uma menina




Sonhos são como poeira no ar, as veze te cega e outras você não consegue segurar em suas mãos por muito tempo.

Me disseram um dia, que é preciso acreditar para poder viver, eu discordo.

Numa rua chamada solidão encontrei uma menina, que me disse nunca ter tido sonhos, que as ruas em que dormia todos os dias, apenas apresentava a desafios, um modo de sobreviver e sonhos era um palavra desconhecida em seu vocabulário.

Sonhos não são para todos desfrutarem e eu tive que concordar com ela.

Acordamos e estamos anestesiados com o cenário que a vida nos proporciona diariamente.

Estamos aprisionados e durante anos desconhecemos boa parte do vocabulário existente, pelo simples fato de não termos mais tempo para poder conhecer e sentir.


Quando convivemos muito com a escuridão, enxergar a luz depois de um tempo se torna surreal.

É conhecer sensações, lugares, gostos, sentimentos inexistente e outros revividos.

Esquecemos tanto o sofrimento quando estamos bem, quanto esquecemos a felicidade quando estamos triste.

É um ciclo natural.

Me lembrei hoje novamente daquela menina, olhei no espelho e vi que ela era eu refletida no espelho.
Uma imagem, uma lembrança de anos atrás.

Carrego mais o passado do que o presente, porque há marcas que não consigo esconder com o passar dos tempos, e tudo o que tenho feito é seguido em frente, no meio desse colapso de momentos que surgem por onde passo.

Hoje apenas me deixo ir, me permito morrer outra vez.