Cartas aos vivos

As vezes escrever é mais fácil do que simplesmente dizer, mesmo que de certo modo, os dois modos me preocupa.

Sei que é esperar demais, que muitos entendam minha aflição e os flashes de coisas que já se foram, mas que permanecem até hoje.

Costumo dizer que coleciono fantasmas,
Porque parece que sempre há algo que deixei escapar, que preciso concertar.

Como se fosse possível voltar o tempo e refazer certos momentos, como se eu pudesse mudar algo então, diminuir a dor de quem eu fiz sofrer.

Sempre fui mais de escrever, do que agir e dizer, talvez isso tenha sido metade da causa de muitos problemas.

Não aprendi ser forte quando precisei, não estive por perto quando seu mundo caiu.

E agora depois de tantos anos, me sinto em dívida porque o que antes eu não entendia, agora eu vejo..

Nos separamos, e algumas lembranças foram apagadas sem que eu notasse, tento relembrar as partes boas e só consigo relembrar as de dores e sofrimento.

Onde erramos então?

Não era pra ser assim, e sinto falta da parte que eu nunca vivi.

Eu espero que as dores um dia se acabem, que você se liberte, deixe que os fantasmas morem somente comigo.

Não se prenda a eles, eu sei, eu sou como você, e você para sempre será parte de mim.

E quero que saiba, eu entendo suas fraquezas e perdoou suas falhas.
Acredito que só agora você entenda isso, assim como espero que entenda e me perdoe também.

Me afastei de muitos que pareciam me conhecer, mas foi para nosso próprio bem.

Não quis destruir o que já vivemos, é melhor que fique as lembranças boas, ninguém precisa conhecer e entrar no meu mundo agora.

Sei que ao me olhar ainda procura aquela menininha, que desapareceu com o tempo e que senti saudades.

E que hoje olha sem saber ao certo no que se tornou.