Poeta bom é poeta morto....



Desconfio que não sou poeta.
Nem mero escritor de prosa reta.

Escapam-me os momentos fúteis
Com que faço estes versos inúteis.

Não. Não o sou.
Poeta escreve "bosta" e todos gritam "oooowwww".

Ou então palavras bem dispostas no papel.
Belas, elegantes, que almejam alcançar o céu,

Ou então o inferno.
Poetas não são caras que interiorizam o externo?

Ou exteriorizam o interno pensamento?
De qualquer maneira, não é bem isso que faço nesse exato momento.

Poetas fazem da vida matéria de viva escrita
Enquanto eu faço da rima matéria da minha vida.

Será que poetas precisam de vera legitimação?
Ou é só dizer que o somos, sem mais explicação?

Ou ainda escrever versos de conteúdo difícil
para deleite daqueles que aplaudem o pesado ofício?

Tem que escrever todo dia, sempre mostrar o que fez?
Lançar livro de poesia? Falar que odeia o burguês?

Mostrar que é leitor de Rimbaud, Hugo e Baudelaire?
Escutar e babar com louvor Chico, Caetano e Tom Zé?

Será que é copiar os clássicos portugueses?
Ingleses, franceses? Ou criar algo novo e só copiar às vezes?

Mas estes não copiaram romanos e gregos?
Muda-se aqui e ali, mas permanecem os mesmos enredos.

Não sou poeta, de fato.
Apesar de copiar tudo isso, poucos leem o que faço.

Mas poeta também não é aquele que não é lido por ninguém?
Talvez neste ponto eu o seja, pois disso sei muito bem.

Certo é que todo poeta vivo, pra ordem ele é perigoso.
Por isso que todo poeta bom, é quando poeta morto.