A lenda do sacrifício







Muda-se o tempo, os corpos mas nunca a máscara, a mentira ainda produz seus monstros visíveis ou não. Hoje, já não caminho pelas estradas da tentativa, analiso, reflito e constato apenas, me desgarrei de qualquer expectativa que alimente meus desejos.
 Nesse jogo injusto de xadrez, tento não ser peça, mas apenas, quem move o jogo para uma direção mais justa.

 Engraçado como o discurso da multidão ecoa e causa grandes danos sem que percebamos seus efeitos colaterais. De algum modo ainda rastejamos para a margem errada da solução, mas nossa lógica atordoada insiste em dizer que estamos certos e que nada esta perdido.

 Adoramos nos espelhar na idiotice da modernidade, em tudo que é fácil e que nos coloque em um altar, herdamos uma ideia de beleza e padrões, fúteis e nojentos.

 A diferença não se aceita, teremos que ser "uns mais iguais que os outros". 
E diante de todo esse carnaval de sentimentos, eis que nos surge à ideia brutal do sacrifício e viver para o que nem sabemos para que e por que, tornar-se humano hoje é algo raro, se iludir sempre é mais fácil, dói menos mas custa caro.
 Mas diante dessas alternativas prefiro me tornar real, sem máscaras ou falsidades. 

Simples e humano imperfeito mas digno, levando consigo a chama do que dizem ser impossível.