Sozinha.

Sozinha, apenas sozinha.

Sem mais mentiras para viver, nesta noite vejo tudo o que ficou para trás.

Não me arrependo das despedidas, apenas do que me deixei acreditar por um tempo.

Sozinha, apenas sozinha.

Encontrei um lugar melhor, onde posso ser quem simplesmente sou.

A dor e as lembranças estão desaparecendo, já vai amanhecer e enquanto eu olhava a noite levar uma parte de mim, o amanhecer está surgindo  trazendo um novo caminho pra mim.

Sozinha, apenas sozinha.

Silêncio.

Queria poder encontrar o silêncio por um tempo.

Tudo a minha volta anda bagunçado, são coisas, são vozes, são retratos.

Faz tempo em que não paro para olhar para cima, faz tempo em que não faço nada do que fazia antes.

Está um barulho tremendo dentro da minha cabeça, então imagino o silêncio do mar, na esperança de me teletransportar em algum momento.

Sem vozes, apenas o som dos ventos e das marés.

As vezes sentir é deixar um pouco a mente descansar.

Porque na maior parte do tempo minha mente parece que vai explodir.

Esses dias eu só queria encontrar o silêncio e me permitir sentir, apenas por um tempo me livrar dos barulhos.

Não é bonito.

E são nessas situações cotidianas que acabamos por nos perder.

Procuramos o lado errado, achando que iremos ser salvos.

Nossa capacidade está bem além, você escolheu o rumo e agora não contém o que restou.

Perceba a desgraça que é a verdade, está tudo sempre tão maquiado.

Os sorrisos, as palavras e os olhares há quanto tempo já não enganam?

Não é bonito e nem perfeito tudo o que vejo através de você.

Não é bonito o que vejo em mim, aprendemos a nos despedir antes mesmo de começar.

Não é bonito olhar as rosas e ver que estão a murchar.

Não é bonito essa ideia de faz de conta, onde ambos vivem para sempre uma peça teatral, da qual já não são mais felizes.

Não é bonito, não é bonito mentir para poder viver.

Não mais.

Eu tentei fugir da realidade, sua voz doce e o brilho dos seus olhos me guiaram por um tempo a um mundo ilusório.

Foi tentando fugir de tudo o que estava em minha volta, que perdi minha razão.

Não mais, irei me perder nem mesmo deixar me enfraquecer, porque esse veneno eu já provei e durante muito tempo consegui me manter longe da desgraça que é ter...

Não vou mais ceder, a esse episódio que já vivi centenas de vezes.

Sei seu verdadeiro lugar e com certeza é bem longe de onde quero estar agora.

Seu veneno não irá mais me fazer cair, porque antes que você possa me destruir eu acabo com você!

Ate onde posso me salvar?

Talvez seja hora de me recolher,
Esse inverno tem me trago um grande desconforto.

Uma linha no chão, não posso ir para o outro lado.

O difícil não é recomeçar, e sim se desfazer das lembranças torturando sua mente.

Demora se um tempo para sentir a liberdade, depois de tomar suas decisões.

Por fora estou em pé, mas por dentro estou desfalecida.

Com medo de enlouquecer e de me render a tudo o que sempre fugi.

Estou de pé, mas estou querendo me jogar, estou olhando querendo me entregar.

Até onde posso me salvar?

Aprendendo.


Aprendendo a ser forte, as ventanias que antes me balançavam, não me balançam mais.

Sei que posso ser mais do que sou hoje,
Assim como posso sentir.

Estive morando muito longe dos meus sonhos, acordada apenas para sentir o que deixei partir.

Um quadro cinza, eu olhava todos os dias, colocando num papel os meus esquecimentos.

Uma porta enfim se abriu, e sei que ao passar por ela deixarei de ser aquela que enfim deixou de desistir.

Me pergunto.


No vazio, não há remédio que cure a sensação de ter sido derrotado.

As forças que antes te faziam continuar, te fazem recuar.

Ser ou não egoísta?
Se doar e não receber nada de volta.

Se as luzes que se acedem te causam medo e a escuridão se torna sua moradia, seu refugio.

Como enxergar o bem através de tudo isso?

As cores enfim estão mortas no meu cenário.

Só me resta o silêncio e as imagens na minha cabeça me levando a loucura.

Os gritos não são mais ouvidos, assim como não sou mais vista.

Na terra dos mortos eu vejo a terra dos vivos, e me pergunto, como me deixei desistir?

Meus dias.

A invisibilidade tem suas vantagens, assim como tem sua desgraça.

A cura para o veneno é puro e ardente,
E é a mesma que envenena.

A chama que me aquece também é aquela que me queima, me causa dor.

O mesmo toque que me acalma, também é o que desperta meu lado mais violento.

Tenho meus dias de ser invisível, meus dias de queimar, meus dias de me perder, meus dias de me encontrar.



Veneno.

Não tem sido fácil, esse veneno que percorre por seu corpo está te paralisando.

Não há saída, se você o ingere por completo.

Cuidado com suas escolhas, elas podem te cegar e não há voltas quando se esta na mira de um gatilho.

Essa dor nunca se cura por completo, se sua alma se perde neste abismo entre a dor e a loucura.

Não tem sido fácil a escolha de sobreviver e também de não resistir.

Mais viva.

O que posso dizer, eu não sou mais aquela que fui tempo atrás.

Meus sentimentos mudaram, e eu não sei onde foi parar aquela esperança que me pertencia.

Todo aquele brilho e talvez coragem, se foram.

Procuro por mim mesma em fotos antigas, na esperança de resgatar parte de quem eu era.

Então recordo me dos momentos cruciais, que eu deixei morrer porque não fazia mais sentido.

Eu me perdi porque não encontrei meu lugar.

Andando em círculos, cavando tudo o que enterrei.

Percebi que não estava mais viva.