Aprendi a não desistir de mim.

Aprendi a não desistir de mim, em meio a tantos arrependimentos.

A lidar com os sentimentos que viviam a me atropelar.

Aprendi a não desistir de mim, mesmo quando minhas falhas eram mais apontadas que meus acertos.

Aprendi a me manter forte diante das suas tempestades, das batidas na porta, das noites em claro.

Reconheci minhas fraquezas, e percebi que estava cansada do tom da sua voz.

Cansada dos lugares que meus pés andavam, dos quadros na parede da sala.

Aprendi a não ter medo de partir, de desfazer as malas e recomeçar.

Que ficar parada olhando na mesma direção, te rouba um tempo que não volta mais.

Aprendi a não desistir de mim, mesmo quando sinto que não pertenço a este lugar.

E tudo que posso fazer por mim é preencher as cores a minha volta, tornar mais fácil minha estadia.

Respirar, respirar.

Um dia de cada vez, procurar o meu melhor.

Corpos.

Um dia corpos serão só corpos, e então será possível enxergar além deles o que cada um tem de melhor escondido.

Será possível enxergar as cores da alma.

Nosso corpo é uma casca enfeitada, há corpos que abrigam histórias, cicatrizes, disfarces e outros apenas o retrato de uma vida vazia.

Um dia corpos serão só corpos, um complemento de quem somos e não um simples objeto de desejo e solidão.

Suas mãos podem tocar facilmente um corpo e se aventurar por suas curvas.

Mas só isso não é o bastante e todos os toques ainda sim, não suprem o que sua alma anseia, algo mais voraz, que unindo se ao calor do corpo vibra e pulsa em outra sintonia.

Coloca sua máscara, seus lábios vermelhos guardam segredos e seu corpo esta se despindo outra vez.

Seu corpo se entrega mas sua mente permanece longe, não reconhece os olhos que te encaram e as mãos que te acariciam.

Um dia seu corpo será apenas um corpo, e sua essência será notada. Um dia a junção de corpo e alma será uma bela sinfonia.

Será real, será sentido.

Um dia, não hoje, apenas um dia.

Eu olhei para o horizonte.
Eu disse: quantas queda até eu voar?
Olhei para os velhos tempos.
Eu disse: quantos erros até eu acertar?
Olhei para minha vida jogada no chão.
Eu disse: quantas vidas ainda me resta, então?
Tenho olhado cada cena cuidadosamente para não repetir, os mesmos erros.
Olhei para o espelho.
Eu disse: você é a mesma de dias atrás?
O que você tem mudado sem perceber?
Tantas perguntas e razões que permanecem escondidas, e eu procuro em meio as minhas angústias.
Tantos sentimentos brigando entre si, e eu não sei como interferir.
Nem sempre a luz é meu lugar, desligo as luzes, ligo no volume máximo e me perco nas canções que nunca escrevi mas que conversam comigo tão bem.
Somente minha mente conhece as minhas batalhas.
Somente meus olhos sabem o que perdi.
Meu coração não é um bom lugar pra se estar, mesmo assim tenho tentado deixa lo com menos espinhos, menos espinhos.
Um dia suas flores não morrerão tão facilmente, poderei transforma lo num belo jardim.
Um dia, não hoje, apenas um dia.

Sempre aqui.






Os dias agora são frios, a noite segue e parece nunca terminar quando estamos nos sabotando,
você sabe exatamente como cravar sua estaca.

De volta ao seu sonho, sua realidade se desfaz, você pode esquecer todas as mentiras e ruínas.

Lembre se, sonhos não duram para sempre, não posso vendar seus olhos sempre que estiver desistindo, não posso ser sua dose diária da realidade, que te machuca. mas prometo estar sempre aqui.

Mesmo quando seus olhos estiverem cansados demais pra enxergar algo bom, eu estarei aqui, tentando não deixar sua luz se apagar.

Eu sempre vou estar aqui, não importa se através de uma melodia, uma poesia, de um vento bagunçando seu cabelo.

Eu estarei aqui, mesmo que você não possa me ver.

Você não está só com todos seus demônios, você não é só feito deles, então pare de dar poder pleno à eles.

Não deixe que sua capacidade de vencer seja destruída pelo que te atormenta, a estrada é árdua, e não há como atravessar sem se ferir e deixar um pedaço seu pra trás.

Se você cair, te ajudo a levantar, serei sua força quando estiver fraco, sua luz em meio a escuridão.

Abra seus olhos, não deixe que se perca nos cenários de seu cotidiano.

Estarei aqui, toda vez que precisar de mim.

Essa é quem sou, um vento, uma canção, uma voz no seu ouvido, uma luz que desaparece e reaparece dia após dia.





O antes e agora.







Antes eu prendia a respiração e agora só perco o folego.

Antes eu só queria me jogar no mar, ir para o mais longe.

Agora controlo meu corpo, deixo que sinta a calmaria das águas.

Vejo suas chamas tentando me incendiar, sua voz sussurrando em meus ouvidos.

Inutilmente seus passos percorrem o mesmo trajeto todos os dias, sua boca desperdiça palavras.

O antes e o agora são diferentes.

Estou terminando mais uma canção, o antes se foi, estou me movendo
rápido, tudo está se indo, não seguro nada em minhas mãos.

O que está em minha mente, você pode tentar desvendar, mas certezas não terá.

Estou me movendo rápido, não seguro nada em minhas mãos.

O antes e o agora são duas línguas estranhas, não conversam apenas existem.

Como o fogo e o gelo, você não pode me tocar antes que derreta e desapareça.

Antes eu não saia de meu casulo, agora sou livre pra voar, olhar e sentir.

E não há nada mais que eu possa querer, sou minha própria chama.









Evolução.






Minha habilidade com as palavras tem sido melhor do que o meu contato humano.

Muitas coisas foram invertidas e espero que essa realidade não seja permanente por completa.


lembro de como era fácil me jogar em conversas,que hoje não​ faz sentido algum, tragar um cigarro e ser entorpecida por sua fumaça.

Mas ainda sim, sou humana embora meu mecanismo não se apresente de tal forma, ainda há um coração sendo bombeado.

Ainda há sangue em minhas veias e lágrimas em meus olhos.

Minha pele queima e meus dedos ainda percorrem meu corpo.

Você vê apenas um rosto, dentre os vários pendurados na sua parede, mas não reconhece o que mudou neles.

Gosto de me perder, do alto da montanha observar o mundo, o apagar e ligar das luzes, sentir o vento me acariciar, fotografo momentos para não esquecer um dia essas sensações.

Mesmo que partes de mim, não reaja da mesma forma, coloco o plug na tomada. Recarrego as emoções, anoto no caderno minha evolução.

Pedaços.



O som do meu silêncio, as ondas do mar ausentes.

O que era simples não existe mais.

Diante dessa calmaria há uma tempestade se formando, eu escuto o som dos trovões antes deles chegarem.

O dia vai se despedindo e dando lugar a noite que se prepara para embalar a escuridão dentro de nós.

Não há muitas estrelas no céu hoje, e a lua tímida se esconde entre as nuvens evitando contato direto.

Deve ser difícil olhar nossas tolices, mas mesmo assim, ela sempre está a ser testemunha e confidente de nossos atos e de nossos corações feridos.

Sei que se ela pudesse falar, diria pra não perder a fé, embora eu sinta na sua forma de brilhar que me entende e a força que tenta me transmitir.

Já perdi as contas de quantas vezes ela foi minha única companhia em meio a ruas escuras e garrafas ao chão.

Mas a gente espera um novo dia raiar, para que possamos concertar o que foi quebrado.

Como se fosse possível quebrar um copo e deixa lo inteiro de novo sem rachaduras.

Não é assim, não se pode concertar, mesmo que doa, mesmo que sangre nada volta a ser como antes.
É preciso saber seguir incompleta, preenchendo o restante de seus pedaços da melhor maneira, para que o pedaço vazio não afete e nem seja notado pelos outros.

Somos frágeis mais também somos fortes. E é isso que nos faz ser o que somos.

Dança ao redor da fogueira.

Tenho visto sua falsa tentativa de negar a solidão, os pensamentos buscando distrações.

Sua pele escondendo cicatrizes, sua boca se embriagando com o gosto das bebidas fortes, você quer esquecer mas a cada lembrança, você fortalece o que está na sua cabeça.

Dói se torturar e esconder, eu sei.

Somos uma junção de tudo o que vivemos e passamos.
Passado e presente.

Nada é tão simples como parece, falar cansa e sentir, sentir nos enlouquece, nos leva ao abismo.

Porque acumulamos ações não feitas, promessas quebradas, histórias inacabadas e nos questionamos.

É um ciclo vicioso dançar ao redor da fogueira.

Seus dedos tocam e destroem na mesma proporção, não há pra onde correr, a não ser de volta ao início e colocar um ponto final no lugar certo.

Apresse os passos, caminhe até onde seu pesadelo virou realidade, seja forte e acenda a fogueira.

Deixe que queime, tudo que vem te destruído, todas as palavras que te feriram, lembranças de um passado dolorido.

Não deixe seu corpo tão perto das chamas, sua dança tende a nos possuir.

Deixe que apenas seus olhos vejam as chamas destruindo suas memórias, veja as dançando em meio as suas cicatrizes.

É hora de esvaziar a bagagem, existe vida em você.





Arma carregada.




A vida é mais do que sobreviver, eu sei.

Tenho ingerido essa dose letal, que tem aniquilado alguns sentimentos.

Tenho tentado reorganizar a linha cronológica dos acontecimentos na minha cabeça, encontrar uma nova direção e uma maneira de recomeçar.

Estou absorvendo as feridas, não há mais tempo para ficar a costura las.

Não há mais tempo.

O gosto de sal e doce constante em minha boca,
A escuridão e a luz , brigando através dos meus olhos.

A verdade e a mentira se colidindo, ambas tentando permanecer.

Há tanto a ser sentido e contido.
Há muito a se digerir e esquecer.


Sou uma arma carregada por debaixo dessa pele, assim como suas mentiras que insistem me ferir.





Linha do tempo.





Alguns vivem para serem esquecidos,
Outros para tolerar a controvérsia da linha temporal da vida.

Vejo, você sentado olhando para mais um ponteiro em seu relógio,
enquanto à sua volta, tudo está passando rápido, na sua linha do tempo, tudo está em câmera lenta.

Porque você acumulou, e todos os erros que quer consertar não podem ser desfeitos, você pode continuar olhando aquelas vidas, mas elas não fazem mais parte de você.

Elas seguiram, elas morreram e nessa insistência louca de fazer o tempo voltar, você parou.
Parou de tentar, parou de continuar a viver, se mantendo preso nesse loop que sua mente gravou.

Não podemos alterar o passado, mas podemos viver o  agora.

Se permitir aprender que vidas e momentos não duram para sempre, o seu tempo não é o mesmo que o meu.

A vida é frágil e o tempo, ah o tempo, ele acaba quando você menos percebe, e como um giro de uma maçaneta, novamente ele reaparece com novas chances para que possa viver.