Adiante.






Ah, se pudéssemos apagar uma parte da história que escrevemos, mudar escolhas que nos levaram até aqui.

Ah, se o medo não fosse tão precursor e nos fizesse tão refém.

Olho as páginas que escrevi, e em muitas delas somente o borrão de tinta preta.

Eu tive medo e também fui covarde.

Ignorei fatos e sentimentos, tudo pra manter a falsa ilusão de que tudo estava em seu devido lugar, com medo de mudar uma peça de lugar.

O preço da liberdade é mais caro do que se imagina, e vem junto com a devastação.

Leva se tempo e querer, para transformar um pássaro que vivia preso numa gaiola, ter vontade de voar.

O desconhecido assusta, e nossa forma de defesa é sempre recuar.

Penso em tudo que perdi pelo o medo, ele sempre foi um oponente forte, sempre me jogando ao chão.

Mas hoje sei que posso derruba lo, o enfraquecer, pois estou tomando rédea da minha vida, e minhas escolhas não se baseiam mais em medo e sim em buscar minha própria paz.

De cicatrizes eu perdi as contas, cada dia uma nova se abre, mas já não sinto medo e nem me escondo por trás dos panos.

O medo já me tirou tanto, que não deixarei que ele me vença, seguirei adiante.

Cidade da luz.



Do que seus sonhos são feitos ?

Por que agora eles se tornaram cinzas ?

A estranha cidade da luz têm nos esquecido a tempos, os cantos dos anjos anunciam mais uma vida perdida, mas ninguém senti, ninguém nota quando uma vida se vai.

A cidade dorme enquanto seus doentes reviram se em suas camas, esperando a morte os trazer paz.
A cidade dorme enquanto os loucos estão sãs, o cenário muda, as pessoas se transformam.

O dia está ensolarado, o céu um paraíso, mas as ruas estão cheias, cheias de corpos vazios, trabalhando, sobrevivendo ao seu próprio caos.

Poucos minutos gastos para se fortalecer e muitas horas desperdiçadas para se perder.

Não consigo ver sentido nisso tudo, um quadro bonito numa parede instável.

Uma coleção de palavras bonitas escondendo verdades.

Uma cidade perdida sustentando sua penumbra.

Ah..  estranha cidade, suas luzes queimam nossos olhos, seu silêncio desperta nossa fome, de viver, de viver.




Algo mudou.






É hora de enfrentar mais um dia que amanhece, encarar as vozes que mentem.

Os infortúnios momentos que aparecem e as horas que não cessam.

Algo na noite mudou, junto com os sentidos que expulsei com meus gritos enquanto dormia.

Algo mudou no meu jeito de olhar, a forma como deixei de sentir foram substituídas, a imensidão antes tão intensa e angustiante agora é apenas meu silêncio.

Estou sempre olhando o céu, pra reavivar tudo que morre tão rapidamente dentro de mim.
Estou sempre olhando o céu, para me sentir infinita, não quero deixar morrer essa sensação também.

As vezes sou apenas um vazio estridente, outras vezes sou infinita.

O bater silencioso do meu coração o deixa inerte.

Eu respiro, e vejo todas as imagens a minha frente, minhas certezas.

A madrugada chega, estou a olhar a lua me dizer que segundas chances são dadas a quem merece, que tenho desacreditado no que sempre carreguei.

Tento responder a ela, mas minhas palavras estão tão cansadas que apenas fecho os meus olhos, sinto as gotas caindo,o gosto salgado na minha boca. meu coração parece ter reagido dessa vez.















Sonhar.





Estive perdida nos seus sonhos, você na minha mente turbulenta.

O caminho não tem sido a resposta, não importa onde eu vá, sua voz tem me conduzido por lugares imagináveis.

Nossos muros cegam nossos olhos, tampouco nos revela o que há do outro lado.

Sonhos, esperanças se esvaem de nossas mãos tão rápido como uma gota de chuva ao cair.

Um jogo, um destino, e a escuridão cada vez onipresente.

Da realidade tenho perdido o interesse, sua triste beleza camuflada exaustiva. tantos sons inquietantes, ecos de vozes que nunca chegarão ao seu ponto de partida.

A realidade que você segura com forças nas mãos é a mesma que te aprisiona todos os dias.

Sonhos, esperanças se esvaem todos os dias, a escuridão se faz onipresente.

Palavras e toques cada vez mais vazios de sentimentos, cada pessoa, uma mentira.
Nas bebidas o acumulo, cada copo um afogamento, sentimentos falidos.

Eu continuo a sonhar para me desprender do que cansei de olhar, cenas e cenas.

Meu intenso desejo é quebrar esses muros, quebrar as correntes e ir.

Meu intenso desejo é poder sentir mais.

Quero não deixar de ver a luz quando o dia raiar, que nas sombras eu durma mas possa acordar.

Meus sonhos, meus sonhos tornam minha realidade um plano de fundo da minha extensão.

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Dois mundos.





Queria poder dizer como é frio, a imensidão que me cerca.

Queria poder dizer o que meus olhos presenciam.

A forma intensa que as estrelas brilham estando na escuridão.

A paisagem quieta, o silêncio que se espalha.

Queria poder dizer como vim parar aqui.

Não consigo conter o ritmo que meu coração bate, e a energia que está sendo sugada de meu corpo.

Estou vendo e sentindo o momento se colidindo, está se partindo em dois, dois mundos, e  não sei onde me encontro agora.

Tudo o que sei é que preciso escolher um caminho, meu coração está parando, o tempo está acabando.

Queria poder dizer como é a sensação de voar, mas preciso cair antes que me tirem o ar.

Voltar para o meu corpo outra vez.



O caminho até lá.




O céu hoje perdeu sua cor, os pássaros se esconderam, o gelo venceu a chama.

Os ventos uivantes estão despertando meus desejos mais escondidos.

Tudo está mudando, e a direção dos ventos me empurram pra longe

A neblina, a neblina me envolve, impede minha visão.

Talvez queira dançar comigo, me fazer girar, me fazer esquecer por um segundo.

As sombras que me acompanham, querem impedir meus passos.

Minha pele está cicatrizando, mas minha mente ainda está interligada com os momentos que me feri. 

Não vejo mais o mesmo lugar, e quero não ser mais o caminho até lá.

Estrada perdida.

Hoje acordei e olhei pela janela a cidade silenciosa, senti uma paz coberta de cinzas, cinzas do que passou.

E sozinha eu me levanto mais uma vez, cada passo, cada respiração pertence somente a mim.

Acredito que lagrimas não curam a dor, mas aliviam a alma, assim como uma canção tem o poder de despertar, de te fazer se encontrar.

São tantas historias e pouca esperança que permanece.

Apenas você pode lutar por você mesmo, nesse mundo de papel, não se rasgue.

Acredite que você pode ser sua melhor versão.

Não tranque as janelas, deixe o vento bater e levar, e que o silêncio da cidade não cale nossa voz em tempos assim.

Nem os barulhos nos façam enlouquecer.

Apenas uma voz quero ouvir.

Apenas uma luz quero ver.

Apenas quero sentir a estranha sensação de viver mesmo estando morrendo todos os dias.

Apenas quero ver nas margens do rio, o reflexo que meu rosto aparenta agora, sentir o gosto da água.

Há tanto a sentir e me esforço em tentar, ser forte diante dessa estrada perdida em que cai.

A procura errada.


Acreditar nos dar o poder, mas não define o que você precisa e isso vai além.

Quantos poderes você segura em suas mãos, enquanto elas estão amarradas pelo destino?

Quais escolhas ainda restam antes que tudo chegue ao fim?

Eu não vejo, mas sinto que você está perdido nas suas escolhas, esperando o amanhã fazer seu trabalho, enquanto você se esconde mais uma vez nessa sua velha capa cada vez menos brilhante.

Você luta por algo que nunca vai ser seu, você entende isso?

A procura errada, você se cegou durante esse tempo todo, enchendo seu ego e destruindo o que realmente era seu.

Você prefere a mentira porque ela preenche seu vazio, você foge da verdade porque ela te faz sozinho.

Você enxerga mas não consegue ver o que faz consigo mesmo.

Você fala mas não escuta o que sai da sua boca.

Tanto tempo perdido pra provar o que?

Que seu trabalho está concluído, que sua farsa está intacta, que seu mundo é inatingível.

Boa sorte em manter seu muro sozinho, quando ele começar desmoronar.

Prometi.






Prometi não me arrastar, mas a cada dia que se passa tem sido difícil.

Não é somente mais um desânimo matinal que ocorre, vai além disso e sei que aos seus olhos, tudo está bem.

Quando perco minhas forças, estou sozinha com meu coração se despedaçando.

Você não me vê como eu sou, parece que tudo o que sinto é sempre banal, e todas as barreiras que quebrei não são nada.


Eu queria que pelo menos uma vez você me visse, além de todos os meus defeitos e cicatrizes.

Porque sou apenas uma estranha, e não posso ser como você quer e ser quem sou não te agrada.

Não posso simplesmente esquecer a cada vez que você abre minhas feridas, não posso simplesmente mais ignorar, quando fecho os olhos e sua voz continua me dizendo sobre tudo o que eu devia fazer.

Nunca serei a pessoa que você quer, sempre serei essa peça com defeito estragando seu motor.

Um erro de cálculo, um erro.

Aprendi a não desistir de mim.

Aprendi a não desistir de mim, em meio a tantos arrependimentos.

A lidar com os sentimentos que viviam a me atropelar.

Aprendi a não desistir de mim, mesmo quando minhas falhas eram mais apontadas que meus acertos.

Aprendi a me manter forte diante das suas tempestades, das batidas na porta, das noites em claro.

Reconheci minhas fraquezas, e percebi que estava cansada do tom da sua voz.

Cansada dos lugares que meus pés andavam, dos quadros na parede da sala.

Aprendi a não ter medo de partir, de desfazer as malas e recomeçar.

Que ficar parada olhando na mesma direção, te rouba um tempo que não volta mais.

Aprendi a não desistir de mim, mesmo quando sinto que não pertenço a este lugar.

E tudo que posso fazer por mim é preencher as cores a minha volta, tornar mais fácil minha estadia.

Respirar, respirar.

Um dia de cada vez, procurar o meu melhor.