Muros.




Por esta montanha, vi todos os muros que construí vir abaixo.

A poeira da terra embaçar meus olhos, vi amigos virarem inimigos e os covardes começarem a reagir .

Matei meu orgulho, junto com ele o medo de não ser bom o bastante.

E nessa batalha tenho lutado contra todos meus temores, com uma lâmina afiada matando as sombras que me rodeia.

Meu escudo dessa vez está firme e dessa guerra não sairei mais ferido como antes.

Hoje estou pronto para lutar e não importa o quão ruim seja o cenário a minha volta, das ruínas e memórias eu opto por reconstruir.

Meus muros se erguerão e como uma fortaleza não deixarei que caíam novamente, você pode até tentar.

Não procure em meus olhos o brilho que costumava a ver, não me toque se não pode lidar com o que sou.

Matei meu orgulho mas não meu valor.

É um longo dia, sem perguntas apenas com muitas respostas.




Somos, como uma ilha.





Somos, como uma ilha a ser descoberta, por vezes não enxergamos a olho nu nossa capacidade de mudar e finalizar questões.

Estamos tão habituados a enxergar nossos erros e defeitos, que nosso lado bom acaba sendo no meio disso tudo, escondido.

Um organismo vivo se contorcendo quando atingido.

Uma ilha a ser descoberta por alguém.

Esquecemos o passado, e fazemos pouco caso do agora que estamos vivendo.

Por vezes, alguém desperta seu melhor, restaura o brilho que seus olhos haviam perdido e a energia vital da vida já esquecida.

Por vezes, você precisa ser esse alguém e outras, você precisa que esse alguém o encontre.

As cores ficam radiante e você reage, reage ao universo de complicações, reaprende que desistir não está na lista de opções.

Quando você se fecha pro o universo, eventualmente você será esquecido por ele.

Nessa multidão de rostos, facilmente somos esquecidos.

Precisamos fazer a diferença na vida de alguém, enxergar o que ninguém mais se importa em ver.

No mundo onde os reais sentimentos são ignorados e a futilidade aclamada, é difícil encontrar pessoas com o mesmo pensamento.

Há sempre alguém por aí esquecido, precisando ser trago de volta ao mundo.

E eu me pergunto, quantas vezes fizeram isso por você?





Você tentou.

A voz da minha consciência está dizendo por fim, pra aceitar minha natureza humana.

Encarar o que não pedi, que de nada adianta temer o que já está feito.

A busca é longa, e você tentou, tentou.

Dar o melhor de si.

Você arriscou, você lutou, você tentou.

E não importa o quanto não vejam seus esforços, você sabe o que viveu, eles só querem frisar sua fraqueza, te fazer desacreditar.

Eles querem ser a borracha apagando suas vitórias, eles querem ser a tinta preta em cima do papel escrito.

Você viveu, não importa como, você aprendeu na luta e na dor o que é alcançar e também perder.

Você caminhou com seus próprios pés, nunca precisou ser sombra de alguém.

E olha só, você chegou até aqui, com tantas pedras no caminho, seus pés ainda tocam o chão.



Várias estações.




Aprendi, que meu silêncio é minha melhor ferramenta.

Evita exaustão e também confusão.

Aprendi, que meu olhar sobre as coisas tem mudado, me entorpeço com o despertar de sentimentos bons e esquivo dos que não me trazem nada.

Tenho andado como de costume pelas mesmas ruas, porém não com a mesma expectativa do dia anterior.

Gosto de me reinventar, assim como gosto de escutar a mesma canção por diversas vezes.

Nem sempre estou sintonizada na melhor estação, e meu sinal geralmente causa interferência.

Me perco nos ruídos, e entre várias estações viajo até me encontrar.

É simples e complicado.

É o que sou, numa junção.

Aprendo todos os dias, e escrevo pra não esquecer a loucura de ser quem sou.

submerso.




Acorde, um novo dia amanheceu e um novo momento precisa ser vivido.
Não esqueça que o tempo não para pra você, é preciso encontrar seu lugar.
Continue respirando, chega de se afogar nessas águas turbulentas que insistem em não te deixar ver que existe algo a mais.
Suas memórias precisam ser reorganizadas, apague as que tem te ferido, você está acumulando emoções e as escondendo.
Por que continuar se martirizando assim ?
Acorde, se permita tentar outra vez e quantas vezes mais forem necessárias, vivemos nos equilibrando todo o tempo, cair faz parte também.
Não viva submerso nesses pensamentos que o arrastam e te afastam da superfície, a loucura é uma rápida hospedeira, quando você menos percebe ela está moldando você.
Abra seus olhos, veja o azul do céu, você está vivo, se complete e respire.

Frutos da terra prometida




Não sou boa com as palavras como gostaria de ser.

Caminhei por ruas escritas apenas minha timidez.

Não sei porquê ainda me escondo, me tranco, se inúmeras vezes me coloquei diante de situações que me levaram ao abismo..

Lembro dos olhares descrentes , os risos contidos,
Não havia pra onde correr, se a cada passos largos a lembrança e a sensação de impotência ficava em mim.

Quantas vezes gritei ao mar aberto minhas loucuras,quantas mentiras vivi, quantas mentiras me disseram, me fizeram sentir, me fizeram desistir, como um fantoche manipulado.

Nunca me escondi da escuridão fria, ela foi minha morada por longos anos á
procura da libertação, de tudo o que a terra já  havia me feito viver.

Hoje me desprendi de falsos profetas, de falsos sentimentos, poucos me conhecem,
 se me tranco inúmeras vezes, é porque tudo o que vejo ainda não me faz querer me mostrar.


A libertação acontece em muitos momentos da vida, você se prende e se liberta de sentimentos todos os dias.

você apaga e recomeça um texto.

você ama e perdoa.

aprende e ensina.

adormece e aquece.

Podem me chamar do que quiser,
pra mim,sou apenas mais um alguém que se cansou dos frutos desta terra prometida.


Seus olhos me diziam adeus.

Vi seu corpo imóvel, senti a gelidez do lugar e as luzes quase a me cegar.

Por um longo momento, fiquei a te observar, rosto sofrido, corpo desfalecido.

Foi quando seus olhos se abriram e encararam os meus, seus olhos eram como pérolas negras, e o vazio que neles se encontravam me dava arrepios.

Você me viu, viu minhas lágrimas escorrerem e sem saber o porquê.

Um filme começou a passar na minha mente, pensei no quão frágil é a nossa vida, e nossa força em persistir.

Quantos leitos, ocupados por corpos frios que carregaram infinitas histórias através do tempo.

Pensei tantas coisas, que me mantive embriagada por algumas horas.

O peso da morte é grande, leva se um tempo pra compreender e suportar.

Mas ela chega, chegará pra todos nós um dia, e nunca deixaremos de sentir com a mesma intensidade os sentimentos que ela nos traz com sua presença.

Senti, era uma despedida, seus olhos me diziam adeus.

Bater de asas.



Eu não sei explicar a maneira como os dias têm me devorado,
preciso um pouco partir, percorrer um lugar desconhecido.


Andar sem olhar pra trás, enxergar novos horizontes e  me reencontrar.

Eu quero, encontrar algumas respostas e por essas janelas, sei que não vou obter las.

Eu quero e o querer não é o suficiente.

Muito já foi deixado, muitos pontos finais e poucos acertos enfim.

Muitas músicas dizendo o que vivi, está na hora de compor uma nova canção, encontrar uma melodia.

Algo que acalme minha alma, que me faça flutuar e não pesar.

Um som, como o bater de asas, pra me fazer sentir infinita outra vez.











Um desconhecido.




Esses dias não tenho conseguido dormir, e quando finalmente consigo, é como se estivesse há dias apagada.

Acordo pesada, carregada de imagens, e flash distorcidos.

Ontem, tive um sonho, e esse sonho ficou o dia inteiro revirando minha cabeça, com um enorme ponto de interrogação.

Vi seu rosto, ouvi sua voz, compartilhamos momentos, mas eu não te conheço, nunca te vi.

Embora sonhos geralmente não façam sentidos,
dificilmente me afetam de alguma maneira.

E de algum modo, algo está errado, aquele velho alarme enferrujado em mim, voltou a tocar.


Aquele velho alarme, dizendo algo esta prestes a acontecer, então se prepare.

Não sei dizer se será bom ou ruim, nem mesmo tenho noção do que possa ser.

Só consigo sentir a sensação me embriagando, o sangue quente ardendo em minhas veias, 
os pensamentos me conduzindo a um outro universo, me teletransportando até meu sonho, esperando por fim sua continuação.



Aquela sem lar.



Você já sentiu como se tivessem apagado parte de sua história?

Pois bem, é assim que me sinto, eu não sei de onde vim, por quantas galáxias viajei, só sei que agora estou vendo as luzes atrás de um balcão piscar, e um homem ao lado a me encarar.

Me sento e peço uma bebida, seu gosto amargo e seu tom escuro me fazem relembrar certas coisas.

Ainda não sei se um dia lembrarei do lugar de onde vim, só posso dizer do que me lembro agora.

Não tenho nome, vivo nas sombras, visto um manto preto, meu cabelo vermelho cobre as cicatrizes de meu rosto, não sou notável.

Foi difícil no começo aceitar minha maldição, mas ao passar dos anos você se acostuma com o fardo a carregar, fui feita para matar sonhos, esperanças.

Para presenciar a guerra e arrancar dos que creem qualquer vestígio de recomeço.

Sou aquela que sem lar não senti o apreço por qualquer vida.

Não me julgue, quem sabe na parte de minha história apagada, eu possa ter sido alguém melhor do que sou hoje.

Hoje sou somente um corpo vazio, com um copo cheio na mão, que por vezes só quer esquecer o quão devastador é viver nessa profunda imensidão.