Bater de asas.



Eu não sei explicar a maneira como os dias têm me devorado,
preciso um pouco partir, percorrer um lugar desconhecido.


Andar sem olhar pra trás, enxergar novos horizontes e  me reencontrar.

Eu quero, encontrar algumas respostas e por essas janelas, sei que não vou obter las.

Eu quero e o querer não é o suficiente.

Muito já foi deixado, muitos pontos finais e poucos acertos enfim.

Muitas músicas dizendo o que vivi, está na hora de compor uma nova canção, encontrar uma melodia.

Algo que acalme minha alma, que me faça flutuar e não pesar.

Um som, como o bater de asas, pra me fazer sentir infinita outra vez.











Um desconhecido.




Esses dias não tenho conseguido dormir, e quando finalmente consigo, é como se estivesse há dias apagada.

Acordo pesada, carregada de imagens, e flash distorcidos.

Ontem, tive um sonho, e esse sonho ficou o dia inteiro revirando minha cabeça, com um enorme ponto de interrogação.

Vi seu rosto, ouvi sua voz, compartilhamos momentos, mas eu não te conheço, nunca te vi.

Embora sonhos geralmente não façam sentidos,
dificilmente me afetam de alguma maneira.

E de algum modo, algo está errado, aquele velho alarme enferrujado em mim, voltou a tocar.


Aquele velho alarme, dizendo algo esta prestes a acontecer, então se prepare.

Não sei dizer se será bom ou ruim, nem mesmo tenho noção do que possa ser.

Só consigo sentir a sensação me embriagando, o sangue quente ardendo em minhas veias, 
os pensamentos me conduzindo a um outro universo, me teletransportando até meu sonho, esperando por fim sua continuação.



Aquela sem lar.



Você já sentiu como se tivessem apagado parte de sua história?

Pois bem, é assim que me sinto, eu não sei de onde vim, por quantas galáxias viajei, só sei que agora estou vendo as luzes atrás de um balcão piscar, e um homem ao lado a me encarar.

Me sento e peço uma bebida, seu gosto amargo e seu tom escuro me fazem relembrar certas coisas.

Ainda não sei se um dia lembrarei do lugar de onde vim, só posso dizer do que me lembro agora.

Não tenho nome, vivo nas sombras, visto um manto preto, meu cabelo vermelho cobre as cicatrizes de meu rosto, não sou notável.

Foi difícil no começo aceitar minha maldição, mas ao passar dos anos você se acostuma com o fardo a carregar, fui feita para matar sonhos, esperanças.

Para presenciar a guerra e arrancar dos que creem qualquer vestígio de recomeço.

Sou aquela que sem lar não senti o apreço por qualquer vida.

Não me julgue, quem sabe na parte de minha história apagada, eu possa ter sido alguém melhor do que sou hoje.

Hoje sou somente um corpo vazio, com um copo cheio na mão, que por vezes só quer esquecer o quão devastador é viver nessa profunda imensidão.

Ergam o alerta.


Sinto que não vai demorar, pra que olhemos pra trás, e vejamos o quão mudou as coisas a nossa volta.

Estamos perdendo nossa liberdade, liberdade de expressão, estamos pagando um preço caro sem termos nenhuma condição de pagar.

Estamos sendo apedrejados, e deixados nas ruas já demolidas.

Eu me pergunto, quanto tempo falta para que a ficção dos filmes, se torne nossa realidade?

Olharemos pra trás e lembraremos do que era leve, de apreciar o céu sem medo, de correr pelos jardins.

As pequenas coisas que nós tornam humanos, sendo tirados por aqueles que viraram uma máquina de destruição.

E com qual direito, estão nos tirando o direito de viver?

É decadente e deprimente saber o rumo que nossas vidas estão a mercê.

Aproveite enquanto o ar não é pago, pois quando for, nem todos terão o luxo de pagar.

Agarre o que ainda resta de bom, não sabemos o dia de amanhã.

A única certeza, é de que todos os dias alguém estar a morrer, morrendo lutando por direitos e igualdades.

Morrendo por ser violentada, abusada, menosprezada.

Morrendo,  sem nunca ter sido ouvida ou ajudada.

Pessoas estão morrendo todos os dias, uns por um prato de comida, outros pelas drogas, outros pela crueldade insana.

Porque as pessoas ficaram doentes, e o mundo está um caos.

Vozes estão sendo silenciadas, mãos estão sendo atadas, visões estão sendo distorcidas, e por fim a esperança está se esvaindo.

Ergam o alerta, se protejam, enquanto há tempo de se viver.

Não cale sua voz.

Sua Tela.




E novamente meu corpo é sua tela, e você me pinta com sua fúria, o sangue que seca e as marcas que se mostram ao redores são apenas seu toque final.

E você não entende que no seu universo eu não sou o que você vê.

Você nunca vai entender minha mente, seu coração bombeia em ritmo diferente, e seu olhar sobre as coisas não são os mesmos que os meus.

Vivemos nessa incompatibilidade, ambos buscando adentrar no mundo do qual não enxergamos.

Você nunca tem nada a dizer, e eu tenho sempre muito a guardar.

Lágrimas artificiais não revelam sentimentos, muito menos o tornam real.


Uma menina




Sonhos são como poeira no ar, as veze te cega e outras você não consegue segurar em suas mãos por muito tempo.

Me disseram um dia, que é preciso acreditar para poder viver, eu discordo.

Numa rua chamada solidão encontrei uma menina, que me disse nunca ter tido sonhos, que as ruas em que dormia todos os dias, apenas apresentava a desafios, um modo de sobreviver e sonhos era um palavra desconhecida em seu vocabulário.

Sonhos não são para todos desfrutarem e eu tive que concordar com ela.

Acordamos e estamos anestesiados com o cenário que a vida nos proporciona diariamente.

Estamos aprisionados e durante anos desconhecemos boa parte do vocabulário existente, pelo simples fato de não termos mais tempo para poder conhecer e sentir.


Quando convivemos muito com a escuridão, enxergar a luz depois de um tempo se torna surreal.

É conhecer sensações, lugares, gostos, sentimentos inexistente e outros revividos.

Esquecemos tanto o sofrimento quando estamos bem, quanto esquecemos a felicidade quando estamos triste.

É um ciclo natural.

Me lembrei hoje novamente daquela menina, olhei no espelho e vi que ela era eu refletida no espelho.
Uma imagem, uma lembrança de anos atrás.

Carrego mais o passado do que o presente, porque há marcas que não consigo esconder com o passar dos tempos, e tudo o que tenho feito é seguido em frente, no meio desse colapso de momentos que surgem por onde passo.

Hoje apenas me deixo ir, me permito morrer outra vez.









O tempo e o fim.

E hoje o sol por si se escondeu, deu espaço as nuvens carregadas, hoje chuvas são lágrimas derramadas por todos que não estão mais entre nós.

E o dia que antes estava cheio de vida e brilhoso, se fechou em sua triste nostalgia.

Até o vento mudou seu ritmo, os galhos das árvores se agitam e o céu se torna uma visão triste por hora.

Momentos e fatalidades costumam acontecer num piscar de olhos.

Você nunca acorda preparado pelo que está por vir. Apenas se tem uma mera ideia.

Circunstâncias, acasos rodeiam nossos intervalos.

Contudo, em meio há cenários assim, precisamos nos fortalecer, respirar e sentir que estamos vivos ainda.

Que não temos todo o tempo, e que nesse tempo que nos resta é preciso ir atrás da sua própria felicidade. Porque o tempo não vai esperar por você.

O tempo sopra longe, o tempo se esgota,
E a vida chega ao fim.

A realidade que troca de sabores .

E parece que encontrei o equilíbrio, não ando mais distraída remexendo no que não importa mais.

Não posso voar, mas também não irei me ver caída no chão. Não mais, não mais.

Eu sou mais do que pareço ser, e novamente a briga não inclui você.

Luto todos os dias, e dentro de mim só eu sei o que preciso aniquilar para continuar. Só eu me permito ferir.

Cada autoproteção é válida diante de circunstâncias que são ilusórias, o irreal não me importa, não posso romper essa linha, mas posso optar pelo que viver.

A realidade que troca de sabores conforme seu cenário atual.

Tenho que dizer, estou me acostumando a sentir o gosto amargo em minha boca.

Sou uma peça neste jogo, e eu não sirvo pra nada mais, do que pra sobreviver a minha própria existência.

Estou bem.






Agora que está vivendo seu conto de fadas, me diga o que senti quando você olha pra fora de sua imaginação e vê o real se autodestruindo.

Pessoas que você amou morrendo, cartas sem remetentes jogadas no balcão da cozinha.

Me diga quanto tempo dura o efeito de estar em mundo paralelo, você foge da verdade mas não nega lhe o veneno oferecido.

Eu lhe escrevi de tantas maneiras, mas nenhuma carta foi respondida, espero que esteja feliz brincando de fugir, quando seu mundo está desabando.

Havíamos prometido encarar os vendavais que surgissem.

Mas você fez sua escolha, decidiu não viver mais.


você agora é aquela canção cheia de metáforas que martela minha cabeça, suas ultimas palavras foram: Estou bem.

Mas não estava, e no dia seguinte sua respiração deixou de existir.

Seu corpo não havia mais vida, e você desapareceu do mesmo modo que apareceu,
Foi um dia chuvoso, olhei pro céu, senti a dor se retorcer dentro de mim,

E eu disse a mim mesma: Estou bem.





Somos a parte humana que vocês deixaram morrer.



As vezes os pensamentos nos levam mais para o abismo do que realmente queríamos no momento.

A promessa de alívio que ele traz é apenas mais uma de suas meras ilusões, ele fica sempre pronto a esperar nossas esperanças se esvaírem.

Como um tic tac do relógio, martelando sua cabeça, suas fraquezas o alimenta cada vez mais.


O ar se torna pesado e você começa a questionar seu atos até aqui, somos todos sobreviventes desse imenso caos que se tornou nossas vidas.

Prepare sua armadura, a guerra só esta começando, estamos lutando contra pessoas rasas e um mundo regredido.


Foi se o tempo em que não estávamos tão perdidos, e agora somos apenas milhares de vozes silenciosas no meio da multidão de pessoas que acreditam viver uma vida perfeita, camuflando seus verdadeiros ideais, trocando suas velhas mascaras por novas.


Somos um grito de socorro, um alerta que foi esquecido muitos anos atrás.

Estamos carregando um fardo que não nos pertence e sofrendo as consequências de suas estúpidas decisões.

Somos a parte humana que vocês deixaram morrer.

vocês, são o novo tipo de civilização, cega e robotizada.