Aprendendo.


Aprendendo a ser forte, as ventanias que antes me balançavam, não me balançam mais.

Sei que posso ser mais do que sou hoje,
Assim como posso sentir.

Estive morando muito longe dos meus sonhos, acordada apenas para sentir o que deixei partir.

Um quadro cinza, eu olhava todos os dias, colocando num papel os meus esquecimentos.

Uma porta enfim se abriu, e sei que ao passar por ela deixarei de ser aquela que enfim deixou de desistir.

Me pergunto.


No vazio, não há remédio que cure a sensação de ter sido derrotado.

As forças que antes te faziam continuar, te fazem recuar.

Ser ou não egoísta?
Se doar e não receber nada de volta.

Se as luzes que se acedem te causam medo e a escuridão se torna sua moradia, seu refugio.

Como enxergar o bem através de tudo isso?

As cores enfim estão mortas no meu cenário.

Só me resta o silêncio e as imagens na minha cabeça me levando a loucura.

Os gritos não são mais ouvidos, assim como não sou mais vista.

Na terra dos mortos eu vejo a terra dos vivos, e me pergunto, como me deixei desistir?

Meus dias.

A invisibilidade tem suas vantagens, assim como tem sua desgraça.

A cura para o veneno é puro e ardente,
E é a mesma que envenena.

A chama que me aquece também é aquela que me queima, me causa dor.

O mesmo toque que me acalma, também é o que desperta meu lado mais violento.

Tenho meus dias de ser invisível, meus dias de queimar, meus dias de me perder, meus dias de me encontrar.



Veneno.

Não tem sido fácil, esse veneno que percorre por seu corpo está te paralisando.

Não há saída, se você o ingere por completo.

Cuidado com suas escolhas, elas podem te cegar e não há voltas quando se esta na mira de um gatilho.

Essa dor nunca se cura por completo, se sua alma se perde neste abismo entre a dor e a loucura.

Não tem sido fácil a escolha de sobreviver e também de não resistir.

Mais viva.

O que posso dizer, eu não sou mais aquela que fui tempo atrás.

Meus sentimentos mudaram, e eu não sei onde foi parar aquela esperança que me pertencia.

Todo aquele brilho e talvez coragem, se foram.

Procuro por mim mesma em fotos antigas, na esperança de resgatar parte de quem eu era.

Então recordo me dos momentos cruciais, que eu deixei morrer porque não fazia mais sentido.

Eu me perdi porque não encontrei meu lugar.

Andando em círculos, cavando tudo o que enterrei.

Percebi que não estava mais viva.

Ela era...

Ela era meiga, seus sentimentos eram ingênuos, ela sonhava e acreditava literalmente em contos de fadas.

Um dia, tudo simplesmente mudou, se transformou em alguém desacreditada nas pessoas ao seu redor, passou a viver o lado escuro da vida.

Passou a olhar o pior de cada pessoa, passou a temer e a odiar.

Então começou a se prender, se prender na raiva, e nas cicatrizes.

Jamais perdoou aqueles que destruíram seu muro, onde atrás vivia seus encantos e magias.

Levaram sua inocência a força e a marcaram com a solidão, a tristeza e a revolta.

Muitos vivem seu próprio mundo particular, e muitos no auge da completa arrogância os quebra para alimentar seu próprio ego, destruindo para sempre vidas inocentes.

Transformando o que um dia foi vida, num inferno.

Maldição.


E dizem que quando ela caminha transforma o ar ao seu redor, e toda a luz se reprime.

Seu cabelo avermelhado esconde um rosto acovardado pelas cicatrizes.

Caminha, pelo vale levemente a margem do rio, esperando que naquela calmaria ninguém prove seu veneno, nem mesmo veja sua face refletida na água.

Os pássaros cantantes já se foram, e apenas o doce som do silencio impera neste momento, ela se levanta sem saber a razão de possuir a maldição.

Tampouco.

Minha dor só eu conheço, não venha rezar por mim se você já estiver perdido neste caminho também.

Não se esconda atrás dos meus problemas, encare os seus e siga sua direção.

Não invente maneiras e desculpas enfim.

Não existe ninguém que nunca tenha trilhado pelo caminho errado, e nele se perdido por um tempo.

Eu não preciso de alguém apontando meus defeitos para satisfazer esse seu sorriso dissimulado.

Eu não preciso de alguém para me ajudar afundar no poço.

Não preciso e nem quero ser sombra de ninguém, se não podem ver minha luz, tampouco quero que conheçam minha escuridão.

Estive cega.

Estive tão cega durante um tempo, e agora estou vendo seu rosto de uma forma realmente diferente.

Você era como um espelho, que agora está espatifado pelo chão.

Não coleciono mais cartas, aprendi que muitas delas nunca foram sinceras ao ponto de merecer ficar.

Estive cega por palavras que nunca foram reais, aprendemos com a dor a ser fortes, com os erros à não comete-los novamente.

E realmente eu tenho aprendido todos os dias uma nova forma de ver e viver.

Mesmo sabendo que ao meu redor existe tudo o que desprezo.

Eu simplesmente visto minha armadura para não ser derrubada nessas batalhas, para não ser atacada pelas costas.

Eu tenho que seguir, mesmo que pelo meu caminho eu veja mais sombras do que luz.

Chuva.


Caminhando por esta chuva, eu sei que chegou ao fim.

E não há nada, que me impeça de me molhar agora.

Sentimentos são frágeis, ao mesmo tempo que persistentes.

E por enquanto, eu estou aqui os sentindo, me deixando levar para algo além do que posso controlar.

Molhando meu corpo, eu ergo a cabeça e olho para o céu nublado, a chuva mais intensa está molhando minha face e me pergunto, por quê é preciso sentir tanta dor?

Por quê a dor não pode ser parecida com a chuva?

Por quê se é preciso sangrar para viver?

Mesmo que eu saiba de muitas respostas, partes de mim não aceita esse dilema.

E nessas muitas tentativas de entender, me perco nos meus sentimentos.