Em branco.

Vemos nosso lado obscuro intimidar nossa luz.

Vemos nosso orgulho e coragem disputando mais de uma batalha.

O que somos e o que vemos não são iguais.

O que dizemos e o que queremos nem sempre estão em sintonia.

Estamos mudando, nessa roleta você gira primeiro e decide depois.

Estamos a um passo de seguir ou voltar.

Seguramos as páginas do tempo sem perceber que estão desgastadas.

Voltamos ao passado e tentamos concertar o futuro.

O presente está em branco mais uma vez.


Até onde durarmos.

Você diz que eu grito demais, mas parece não escutar meu silêncio.

Você me abraça e ao mesmo tempo coloca uma barreira.

Todas as vezes que durmo em seus braços, sinto paz e desejo.

Você instiga meus desejos e os mantém cada vez mais intensos.
Você percorre meu corpo, e sabe que nossos corpos se encaixam.

Gravo na memória todas as vezes que seu olhar para no meu.

Eu queria congelar o tempo, me perder cada vez no seu olhar e segurar mais uma vez sua mão.

Porque juntos incendiamos, mas longe nos congelamos.

Medos e pensamentos nos rodeia, o amanhã é tão incerto.

Mas não tem um dia, que eu não relembre como chegamos até aqui.

Todas nossas loucuras, todas nossas brigas.

Você me vê como eu sou, e eu vejo você, sem cortinas para nós esconder.


Eu quero ser sua lua,
E quero que você seja meu sol até onde durarmos.

Coisas reais.




Era fim de tarde, o sol pronto pra se despedir, peguei a estrada, pra sentir um pouco dessa terra molhada, me perder no desconhecido.

Por vezes minha alma anseia por calma, preciso respirar antes de me entorpecer, sentir o vento bagunçar meu cabelo, sentir minha pele arrepiar.

Apreciar o momento e o cenário, os minutos que perdemos com coisas sem valor, nos toma um tempo precioso.

Sustentamos mentiras, procurando verdades.

Por vezes preciso me desligar de tudo, dos ruídos, dos olhares,e principalmente de palavras sem sentido.

Minha alma sempre teve fome, e sua fome só tem crescido, coisas reais, coisas reais, é o que mata minha fome.

Toques, palavras, atitudes, vontades.

Coisas reais, coisas reais me instigam.

Tudo o que é de verdade me interessa.

Convivo de mais com as mentiras,

De ilusões, eu sei que tenho que viver as vezes, mas nunca faço dele meu mundo, é temporário.




Ghost

Dizem que aceitar dói menos, eu digo que continuar a viver o que não se quer, dói mais.

Dizem pra você não correr riscos pois é perigoso, eu digo que a liberdade é correr riscos, se conhecer, permanecer.

A alma é livre, não a deixe viver em celas.

Não deixe as cores desaparecerem, traga as de volta para o seu arco íris.

O chão pode ser cinza, mas acima de sua cabeça existe um imenso mar azul pronto pra te acompanhar.

Existe sempre mais, quando se está disposta a olhar além.

Seus olhos, refletem sua alma, não torne se um fantasma, não possua o que não é seu.

A caça


E as caças voltaram, o retrocesso que anda de mãos dadas com a loucura.

Nossa justiça tão cega e tão errada, condenam o amor mas não aqueles que nos violam, nos matam.

Destroem nossas casas, enquanto alimentam os poderosos.

Armas de choques nas mãos, lutam contra milhares de vozes, apenas exigindo respeito e atenção.

Vejo tanto, e o tanto que vejo já não faz mais sentido.

Sangues se esvaem, vidas são perdidas e  nossa sociedade não vê queda, apenas dos oprimidos.

Difícil conter o fervor que me agita, eles anunciam a volta das caças.

A caça da humanidade, eles não sabem o que é ser isso.

Meu corpo é fogo.

Me desprendi, calei a voz que ficava em minha mente.

Abri a porta para a razão, que não cansava de bater.

Abri a janela, e pude ver tudo o que eu estava perdendo, mantendo os olhos fechados.

E o caos deu espaço para a calmaria, apenas respiro, inspiro.

Reacendi a chama, o desejo de incendiar.

Todos os dias é preciso queimar.

Deixo que as cinzas dançem e o vento as levem.

Meu corpo é fogo e

Minha alma seu combustível.

Adiante.






Ah, se pudéssemos apagar uma parte da história que escrevemos, mudar escolhas que nos levaram até aqui.

Ah, se o medo não fosse tão precursor e nos fizesse tão refém.

Olho as páginas que escrevi, e em muitas delas somente o borrão de tinta preta.

Eu tive medo e também fui covarde.

Ignorei fatos e sentimentos, tudo pra manter a falsa ilusão de que tudo estava em seu devido lugar, com medo de mudar uma peça de lugar.

O preço da liberdade é mais caro do que se imagina, e vem junto com a devastação.

Leva se tempo e querer, para transformar um pássaro que vivia preso numa gaiola, ter vontade de voar.

O desconhecido assusta, e nossa forma de defesa é sempre recuar.

Penso em tudo que perdi pelo o medo, ele sempre foi um oponente forte, sempre me jogando ao chão.

Mas hoje sei que posso derruba lo, o enfraquecer, pois estou tomando rédea da minha vida, e minhas escolhas não se baseiam mais em medo e sim em buscar minha própria paz.

De cicatrizes eu perdi as contas, cada dia uma nova se abre, mas já não sinto medo e nem me escondo por trás dos panos.

O medo já me tirou tanto, que não deixarei que ele me vença, seguirei adiante.

Cidade da luz.



Do que seus sonhos são feitos ?

Por que agora eles se tornaram cinzas ?

A estranha cidade da luz têm nos esquecido a tempos, os cantos dos anjos anunciam mais uma vida perdida, mas ninguém senti, ninguém nota quando uma vida se vai.

A cidade dorme enquanto seus doentes reviram se em suas camas, esperando a morte os trazer paz.
A cidade dorme enquanto os loucos estão sãs, o cenário muda, as pessoas se transformam.

O dia está ensolarado, o céu um paraíso, mas as ruas estão cheias, cheias de corpos vazios, trabalhando, sobrevivendo ao seu próprio caos.

Poucos minutos gastos para se fortalecer e muitas horas desperdiçadas para se perder.

Não consigo ver sentido nisso tudo, um quadro bonito numa parede instável.

Uma coleção de palavras bonitas escondendo verdades.

Uma cidade perdida sustentando sua penumbra.

Ah..  estranha cidade, suas luzes queimam nossos olhos, seu silêncio desperta nossa fome, de viver, de viver.




Algo mudou.






É hora de enfrentar mais um dia que amanhece, encarar as vozes que mentem.

Os infortúnios momentos que aparecem e as horas que não cessam.

Algo na noite mudou, junto com os sentidos que expulsei com meus gritos enquanto dormia.

Algo mudou no meu jeito de olhar, a forma como deixei de sentir foram substituídas, a imensidão antes tão intensa e angustiante agora é apenas meu silêncio.

Estou sempre olhando o céu, pra reavivar tudo que morre tão rapidamente dentro de mim.
Estou sempre olhando o céu, para me sentir infinita, não quero deixar morrer essa sensação também.

As vezes sou apenas um vazio estridente, outras vezes sou infinita.

O bater silencioso do meu coração o deixa inerte.

Eu respiro, e vejo todas as imagens a minha frente, minhas certezas.

A madrugada chega, estou a olhar a lua me dizer que segundas chances são dadas a quem merece, que tenho desacreditado no que sempre carreguei.

Tento responder a ela, mas minhas palavras estão tão cansadas que apenas fecho os meus olhos, sinto as gotas caindo,o gosto salgado na minha boca. meu coração parece ter reagido dessa vez.















Sonhar.





Estive perdida nos seus sonhos, você na minha mente turbulenta.

O caminho não tem sido a resposta, não importa onde eu vá, sua voz tem me conduzido por lugares imagináveis.

Nossos muros cegam nossos olhos, tampouco nos revela o que há do outro lado.

Sonhos, esperanças se esvaem de nossas mãos tão rápido como uma gota de chuva ao cair.

Um jogo, um destino, e a escuridão cada vez onipresente.

Da realidade tenho perdido o interesse, sua triste beleza camuflada exaustiva. tantos sons inquietantes, ecos de vozes que nunca chegarão ao seu ponto de partida.

A realidade que você segura com forças nas mãos é a mesma que te aprisiona todos os dias.

Sonhos, esperanças se esvaem todos os dias, a escuridão se faz onipresente.

Palavras e toques cada vez mais vazios de sentimentos, cada pessoa, uma mentira.
Nas bebidas o acumulo, cada copo um afogamento, sentimentos falidos.

Eu continuo a sonhar para me desprender do que cansei de olhar, cenas e cenas.

Meu intenso desejo é quebrar esses muros, quebrar as correntes e ir.

Meu intenso desejo é poder sentir mais.

Quero não deixar de ver a luz quando o dia raiar, que nas sombras eu durma mas possa acordar.

Meus sonhos, meus sonhos tornam minha realidade um plano de fundo da minha extensão.

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