Mais do que coragem.


Tudo têm estado agitado aqui, como as ondas do mar em seus dias de ressaca.

E essa tempestade que vem chegando, balança esse meu barco frágil.

Não sei, se a fragilidade dele sobreviverá mas um dia escuro a seguir, entre as neblinas e os ventos fortes.

Porque hoje deixei minha alma pronta pra morrer, e olhando o céu, não sei se existe um lugar que eu possa voltar, onde o tempo foi perdido.

O fim as vezes é tão belo quanto o começo.

E é preciso mais do que coragem, para aceitar o que sua mente não vê.

Certos passados.

Porque certos passados, não são esquecidos, é como aquele livro que você lê e se vê na história, e nunca esquece apesar de não mexer mais.

Ele está lá, quieto, guardado e como um vento forte ele te leva ao início da história, soprando todas suas folhas.

Não sei se manter certas memórias me torna uma covarde ou corajosa.

Mas sou assim, minha mente é uma filmadora, registra, rebobina mas nunca apaga.

Nem as piores lembranças, me salvam, porque estão lá.

Estão lá, dentro da bagunça que é minha mente..

Através de um outro olhar.

Queria ter seus olhos, enxergar o mundo como você vê, ter na memória seus registros, fazer parte por um segundo, do seu outro mundo.

Viver o desconhecido, mesmo já conhecido por suas palavras.

Porque já estou cansada de conviver todos os dias com o meu olhar sobre as coisas.

De me virar e não encontrar nada ao meu redor.

Cansada da mochila em minhas costas, de todos os lugares que já andei, de tudo o que perdi por essas estradas.

Talvez viver através de um outro olhar, minha retrospectiva mude, os fatos me revelem a essência do que busco, a cura da alma, que desaparece diante de suas feridas.

Nem triste, nem feliz..

Nem triste, nem feliz, hoje não sei se apenas um estado me define.

Hoje estou leve e pesada ao menos tempo, estou morta e viva.

Acho que meus olhos já se cansaram, de tudo ao meu redor e principalmente do reflexo diante do espelho.

Piso em vidros, não em flores, vejo sombras não a luz.

Estou aprendendo a aceitar, como das outras vezes, que sou meu próprio castigo.

Pra quê ?

Pra que serve vida, se já estamos mortos.

Mais uma luz.


Estou rompendo minhas veias, deixando o líquido sair.

Para que reste apenas um corpo gélido, sem pulsação alguma.

Estou rompendo minhas memórias, não quero impedir o fim e em outro lugar minha alma vai estar.

Abra a janela, veja o sol brilhar e em algum lugar lá em cima eu vou te olhar,
Liberta deste mundo, hoje sou apenas uma lembrança.

Mais uma luz entre milhares de outras preenchendo o céu.

Somos a luz que não se pode ver.

Vagões.


E o trem continua com seus vagões vazios, e apenas a escuridão testemunha o silêncio de nossos corações inquietos.

Eu tento encontrar uma distração, que me faça parar de lembrar.

Que sou eu, a última pessoa no vagão, com destino algum me rendendo a escuridão que meus olhos já presenciam.

Esperando que uma luz me encontre, eu sei que é pedir demais.

Que alguém possa me enxergar.

Em algum momento nossa respiração deixa de fazer sentido, e quando nos damos contas, já estamos sozinhos novamente.

Há tempos...

Há tempos que olhar meu reflexo no espelho me incomoda.

Há tempos que minhas palavras se perdem na minha escrita, não fazendo sentido algum.

Há tempos que tudo me incomoda, a maldição de ver mais do que posso suportar.

Há tempos que me fecho no meu próprio casulo, poucas coisas me fazem sair, e querer olhar outras cores além das quais reúno.

Há tempos que me perco, e por um longo tempo não desejo encontrar nada.

Há tempos como esse, que sinto vontade de renascer, com um novo cenário ao meu redor, em um mundo novo do qual minha essência não seja ignorada tampouco estranhada.

Onde as cores de verdade não sejam camufladas pelo brilho artificial das coisas.

Há tempos, como hoje que eu só queria existir.

Ouça.

Distante da sua tolerância, eu criei nada mais do que a distância.

E não há nada que me faça parar, porque preciso ouvir a música que soa dentro de mim nesse momento.

E foi se o tempo, que todas as músicas que eu escrevia eram para você.

Assim como o tempo que você tinha de mim.

Apenas ouça pela ultima vez, essa canção, é nossa despedida.

Eu quero ser além do que você me enxerga, alguém com aquele mesmo brilho que hoje se apagou, em meio a falta de esperança.

Vou carregar minha sinfonia, em meio a dor e a decepção existe uma boa dose de realidade misturada com um trágico fim de sentimentos.

Vou me religar ao que sobrar de tudo o que vou destruir. A dor eu irei suportar, mas a canção...

Por vezes eu irei escutar, é nossa despedida.

E um novo começo vago pra mim.

Já não é.

Eu não sei pra onde vou.

Você era apenas tudo o eu queria, mas agora já não é, já não é.

No meu mundo você era apenas um cenário bom, diante do caos em minha mente, mas agora já não é, já não é.

Porque você faz parte do meu caos agora, e toda vez que te olho eu quero apenas explodir esses muros, e nunca mais andar por onde você caminhar.

Não quero fingir estar bem, quando na verdade tudo o que quero é te machucar, arrancar um pedaço para você depois remendar.

Não quero que se lembre de mim depois, quero apenas saborear o mesmo líquido que você provou de mim.

E olhar suas cicatrizes...

Linha do tempo.

Alguns vivem para serem esquecidos,
Outros para tolerar a controvérsia da linha temporal da vida.

Eu vejo, você sentado olhando para mais um ponteiro em seu relógio.

E enquanto à sua volta, tudo está passando rápido, na sua linha do tempo, tudo está em câmera lenta.

Porque você acumulou, e todos os erros que quer consertar não podem ser desfeitos, você pode continuar olhando aquelas vidas, elas não são mais parte de você.

Elas seguiram em frente enquanto nessa insistência louca de voltar, você parou.

Parou de tentar, parou de continuar a viver, se mantendo preso na sua linha do tempo.

A resposta da vida está em querer viver, porque sabemos que muitos não chegaram até lá.