Uma menina




Sonhos são como poeira no ar, as veze te cega e outras você não consegue segurar em suas mãos por muito tempo.

Me disseram um dia, que é preciso acreditar para poder viver, eu discordo.

Numa rua chamada solidão encontrei uma menina, que me disse nunca ter tido sonhos, que as ruas em que dormia todos os dias, apenas apresentava a desafios, um modo de sobreviver e sonhos era um palavra desconhecida em seu vocabulário.

Sonhos não são para todos desfrutarem e eu tive que concordar com ela.

Acordamos e estamos anestesiados com o cenário que a vida nos proporciona diariamente.

Estamos aprisionados e durante anos desconhecemos boa parte do vocabulário existente, pelo simples fato de não termos mais tempo para poder conhecer e sentir.


Quando convivemos muito com a escuridão, enxergar a luz depois de um tempo se torna surreal.

É conhecer sensações, lugares, gostos, sentimentos inexistente e outros revividos.

Esquecemos tanto o sofrimento quando estamos bem, quanto esquecemos a felicidade quando estamos triste.

É um ciclo natural.

Me lembrei hoje novamente daquela menina, olhei no espelho e vi que ela era eu refletida no espelho.
Uma imagem, uma lembrança de anos atrás.

Carrego mais o passado do que o presente, porque há marcas que não consigo esconder com o passar dos tempos, e tudo o que tenho feito é seguido em frente, no meio desse colapso de momentos que surgem por onde passo.

Hoje apenas me deixo ir, me permito morrer outra vez.









O tempo e o fim.

E hoje o sol por si se escondeu, deu espaço as nuvens carregadas, hoje chuvas são lágrimas derramadas por todos que não estão mais entre nós.

E o dia que antes estava cheio de vida e brilhoso, se fechou em sua triste nostalgia.

Até o vento mudou seu ritmo, os galhos das árvores se agitam e o céu se torna uma visão triste por hora.

Momentos e fatalidades costumam acontecer num piscar de olhos.

Você nunca acorda preparado pelo que está por vir. Apenas se tem uma mera ideia.

Circunstâncias, acasos rodeiam nossos intervalos.

Contudo, em meio há cenários assim, precisamos nos fortalecer, respirar e sentir que estamos vivos ainda.

Que não temos todo o tempo, e que nesse tempo que nos resta é preciso ir atrás da sua própria felicidade. Porque o tempo não vai esperar por você.

O tempo sopra longe, o tempo se esgota,
E a vida chega ao fim.

A realidade que troca de sabores .

E parece que encontrei o equilíbrio, não ando mais distraída remexendo no que não importa mais.

Não posso voar, mas também não irei me ver caída no chão. Não mais, não mais.

Eu sou mais do que pareço ser, e novamente a briga não inclui você.

Luto todos os dias, e dentro de mim só eu sei o que preciso aniquilar para continuar. Só eu me permito ferir.

Cada autoproteção é válida diante de circunstâncias que são ilusórias, o irreal não me importa, não posso romper essa linha, mas posso optar pelo que viver.

A realidade que troca de sabores conforme seu cenário atual.

Tenho que dizer, estou me acostumando a sentir o gosto amargo em minha boca.

Sou uma peça neste jogo, e eu não sirvo pra nada mais, do que pra sobreviver a minha própria existência.

Estou bem.






Agora que está vivendo seu conto de fadas, me diga o que senti quando você olha pra fora de sua imaginação e vê o real se autodestruindo.

Pessoas que você amou morrendo, cartas sem remetentes jogadas no balcão da cozinha.

Me diga quanto tempo dura o efeito de estar em mundo paralelo, você foge da verdade mas não nega lhe o veneno oferecido.

Eu lhe escrevi de tantas maneiras, mas nenhuma carta foi respondida, espero que esteja feliz brincando de fugir, quando seu mundo está desabando.

Havíamos prometido encarar os vendavais que surgissem.

Mas você fez sua escolha, decidiu não viver mais.


você agora é aquela canção cheia de metáforas que martela minha cabeça, suas ultimas palavras foram: Estou bem.

Mas não estava, e no dia seguinte sua respiração deixou de existir.

Seu corpo não havia mais vida, e você desapareceu do mesmo modo que apareceu,
Foi um dia chuvoso, olhei pro céu, senti a dor se retorcer dentro de mim,

E eu disse a mim mesma: Estou bem.





Somos a parte humana que vocês deixaram morrer.



As vezes os pensamentos nos levam mais para o abismo do que realmente queríamos no momento.

A promessa de alívio que ele traz é apenas mais uma de suas meras ilusões, ele fica sempre pronto a esperar nossas esperanças se esvaírem.

Como um tic tac do relógio, martelando sua cabeça, suas fraquezas o alimenta cada vez mais.


O ar se torna pesado e você começa a questionar seu atos até aqui, somos todos sobreviventes desse imenso caos que se tornou nossas vidas.

Prepare sua armadura, a guerra só esta começando, estamos lutando contra pessoas rasas e um mundo regredido.


Foi se o tempo em que não estávamos tão perdidos, e agora somos apenas milhares de vozes silenciosas no meio da multidão de pessoas que acreditam viver uma vida perfeita, camuflando seus verdadeiros ideais, trocando suas velhas mascaras por novas.


Somos um grito de socorro, um alerta que foi esquecido muitos anos atrás.

Estamos carregando um fardo que não nos pertence e sofrendo as consequências de suas estúpidas decisões.

Somos a parte humana que vocês deixaram morrer.

vocês, são o novo tipo de civilização, cega e robotizada.

Meus monstros.





E quando a lua cheia se mostra, desperta em mim todos os monstros que se mantinham trancafiados.

Liberta minha alma sedenta, e ignora a razão, ou o pensar.

Me impulsiona a queda, e traz a tona as lembranças de vidas passadas.

Eu grito, e cavo cada vez mais fundo os buracos que tentei cobrir.

Vou retirando as fotografias, retirando as cartas e objetos, então faço uma fogueira, e os deixo queimar.

Gosto de ver as chamas dançarem, ao som de uma bela e triste harmonia.

Enquanto meus monstros queimam, espero o fogo cessar, matando um por vez sempre que necessário, destruindo qualquer mera lembrança que os alimentam e os trazem de volta à me devorar.
Porque eles sempre voltam.....e preciso sempre os fazer queimar.

Por onde começar.


Hoje, me vi rasgando lembranças e olhando o passado.

Vi a sensação me perturbar, e senti a dor de ignorar o que é inevitável.

Por onde começar?

Quando não se resta muito de quem fui ou de quem sou.

Por onde começar?

Quando seus olhos, já não enxergam como antes, e todas as palavras que são ditas, não parecem reais.

Por onde começar?

Eu tenho tentado parar de me esconder, mas ainda falta algo.

E até lá, eu não sei por onde começar.



Sentimentos.

Se perde demais em acreditar em coisas que nunca foram reais.

Já tive muitos sentimentos, um dia eu os alimentei e por fim eles me comeram viva.

Como um robô reprogramado, pouco a pouco estou excluindo memórias, e reaprendendo a caminhar.

Quero sim, um dia ser menos ventania e ser mais calmaria.

Mas agora, sou o que nem sei dizer, há pouco espaço para sentimentos, muito menos para demonstrações.

As estações.


Me perguntaram em qual estação minha alma se encontrava.

Não consegui responder, há dias que o inverno toma conta, que um simples verão não é capaz de quebrar o frio e os sintomas que os sentimentos me deixaram.

Por outras tento ser primavera, coloco um sorriso no rosto e me coloco à mudanças, visto uma roupa alegre, escondo os tormentos no baú e caminho por uma estrada menos árdua, pra respirar.

Sou muito outono, troco minhas folhas,  jogo fora memórias antigas, para ter espaço para novas.
Me ausento por um tempo, revivo e apago, me concluo, me entristeço, viro a página e esqueço.

Há dias que reúno todas elas em mim, as quatros estações, e fica uma bagunça sem igual.

Aquela antiga bagunça que me acompanha há tempos.

Quem me dera ser menos bagunça e mais organizada.

Organizar minha vida, como se arruma uma gaveta, o que não serve, tira e ponto final. Sem muitos dilemas.

Presa nas estações, sinto pressa em poder viver uma de cada vez, do jeito certo.

Seu fantasma.


Não posso ser seu fantasma, assombrando seus pensamentos.

Não sou sua cura, sou apenas minha própria perdição.

Não posso ser sua droga, não mais.

Ainda sinto os momentos, mas não posso, preciso tirar do meu corpo essas marcas, mascarar o efeito que restou.

Novamente as lembranças insistem em me confrontar, e sei que preciso esquecer.

É muito a sentir e tao pouco a se ter agora, não posso ser seu fantasma.

Demora se pra estarmos livre do efeito,
E a falta nos iludi, alimenta a vontade de ser ter mais , de fazer o sangue esquentar e o coração acelerar.

E de novo a gente se entrega, e nada mais importa do que aquele único momento, onde a junção de sentimentos e desejos nos controlam completamente.